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"Eucalipto", diz Bagão Félix

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 25.10.07

Li no DN de ontem, dia 24. Bagão Félix num almoço-debate promovido pelo CDS/PP em Lisboa sobre o orçamento de estado.

“Um orçamento manhoso” em que se “escondem” muitas das despesas do sector público. Preocupante. Mas que não me surpreende. Parece que “os grandes produtores de despesa estão fora do perímetro do Estado”. Exemplos avançados por Bagão Félix: “Os hospitais, sendo a maior parte EPE (entidades públicas empresariais) ficam fora do perímetro orçamental do Estado”.

Outros exemplos: “a Estradas de Portugal, com os respectivos prejuízos a sair do orçamento. Qualquer dia o Orçamento do Estado não existe porque está tudo fora. Ficam umas creches, uns infantários, uns fontanários, umas rotundazecas.”

A redução do número de funcionários “uma fantasia”, com parte a reformar-se e outra parte a ser deslocada para a esfera da gestão privada, logo, para fora do perímetro orçamental.

Não há, pois, clareza, jogo limpo. E são os cidadãos que pagam o sacrifício de estratégias medíocres e manhosas. O “chico-espertismo”. A falta de inteligência, responsabilidade e criatividade. Não, não me surpreende.

Ainda segundo Bagão Félix, a redução do défice deve-se à “subida de impostos”. “Estão a ir-nos à carteira todos os dias” (…) “o dia da libertação fiscal passou de 9 para 14 de Maio”.

Gostei particularmente das metáforas para este orçamento “manhoso”: “vive de anfetaminas do lado da receita e de ansiolíticos do lado da despesa”. E a melhor, a do “eucalipto”: “tudo vai para o objectivo do défice, secando tudo à volta.”

Mas, mesmo que o governo se prepare para um “orçamento porreiro, pá,” lá para 2009, a pensar nas eleições, e isto sou já eu que digo embora não seja economista, mas sabendo que a Economia trata de pessoas e não apenas de números, com este tipo de lógica já lá não vai. Porque estará tudo seco.

 

 

publicado às 14:44

O Presidente da República encontrou o seu registo

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 09.10.07

O Presidente da República encontrou finalmente o seu registo, o seu papel, o seu guião. O seu discurso de 5 de Outubro foi inspirado. Mobilizador de motivações e criatividades. Dirigiu-se directamente às pessoas, a pessoas concretas. E tocou em pontos essenciais. Uma nova atitude perante a escola, o carácter inclusivo da escola, acarinhar e prestigiar os professores. Obstáculos culturais a remover, responsabilidades a assumir.

Inspirado e convincente, o Presidente da República assume o seu verdadeiro papel, pega no guião e encontra o seu próprio registo. De modelo, de referência, de estabilidade. Percebe a necessidade de mobilizar energias, inteligências, motivações. Percebe que o país está desgastado, assustado, inseguro. E que no meio do nevoeiro, nunca foi tão necessária uma voz sensata, segura, firme, determinada.

Situar a Escola e a importância da Educação no contexto histórico da nossa República permitiu lembrar valores a manter. A Educação liberta e permite exercer o direito de cidadania, de forma plena. De certo modo, o Presidente da República aceita o testemunho histórico e dá-lhe continuidade. O verdadeiro papel de um Presidente.

É desta forma inspirada, calma, convincente, que se acordam consciências e se iniciam novos caminhos. São discursos assim que animam os mais maltratados por este governo. E os professores têm sido dos mais maltratados. São discursos assim que podem mobilizar os cidadãos numa tarefa comum a todos. “Uma escola melhor em nome de uma melhor República”.

Começo a respirar neste nevoeiro abafado. Começo a ver que se vão abrindo espaços claros onde o sol pode romper. Vozes dissonantes no conformismo geral, vozes criativas na mediocridade instalada, vozes sensatas na balbúrdia do oeste.

 

publicado às 17:10


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